Entrevista com Armando Fontainhas

Entrevista com Armando Fontainhas

Presidente Conselho Administração da Adega de Monção

A Adega Cooperativa Regional de Monção foi fundada a 11 de outubro de 1958 e congrega os produtores de Monção e Melgaço. Situada em plena Região Demarcada dos Vinhos Verdes, na sub-região de Monção e Melgaço.
Armando Fontainhas, economista e presidente da Adega Cooperativa de Monção, conta-nos um pouco mais sobre a maior adega cooperativa e dos vinhos verdes nacionais.

 

Quais foram as maiores aquisições da Adega do ano de 2017 em termos de inovação?
O ano de 2017 foi um ano bastante importante em termos de investimentos em inovação para a Adega de Monção. Investimos numa rede de 307 painéis solares fotovoltaicos de 265W/cada para autoconsumo o que se reflete numa poupança anual de energia de 117 mil kWh e uma redução de 15 mil euros na fatura anual.
Para além disso, investimentos em diversas máquinas para a linha de produção. Nomeadamente, um equipamento que nos permite produzir garrafas screw cap, uma nova rotuladora que nos dá maior flexibilidade no tamanho da rotulagem a utilizar nos nossos produtos e que nos permite a utilização de rótulos autoadesivos. Para o acabamento final do produto, foi adquirido uma máquina que faz a monta de paletes.
Neste ano iniciamos em parceria com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o Instituto politécnico de Viana do Castelo e outra Adega Cooperativa da Região dos Vinhos Verdes o projeto Terr.@no que visa a caraterização agro ecológica da sub-região de Monção e Melgaço.
Resultado de uma investigação de três anos com um parceiro tecnológico, iniciamos a comercialização do Alvarinho Deu-La-Deu Terraços o primeiro vinho comercial a ser vinificado com leveduras autóctones da sub-região, que foram isoladas ao longo de três vindimas e posteriormente utilizadas na vinificação.

Aquando a candidatura ao Regime de Apoio à Reestruturação de Vinhas (VITIS), quais as actividades previstas da Adega e o seu contributo para a qualidade do vinho verde nacional?
A reconversão das vinhas com o apoio do programa VITIS tem sido uma constante ao longo dos últimos anos.
Todos os anos a Adega de Monção faz uma candidatura agrupada para os seus cooperantes no sentido de melhorar a produtividade das vinhas e a qualidade das uvas.
Saliento que nos últimos anos as candidaturas foram:
Vitis Campanha 2016
* Produtores: 110
* Área Candidata: 44ha
* Valor da ajuda prevista: 633.578,00€

Vitis Campanha 2017
* Produtores: 106
* Área Candidata: 52ha
* Valor da ajuda prevista: 772.448,00€

Vitis Campanha 2018
* Produtores: 95
* Área Candidata: 33ha
* Valor da Ajuda prevista: 398.685,00€

Estes investimentos na viticultura permitem a melhoria das uvas, a nossa matéria prima e consequentemente dos nossos vinhos.

Fale-nos um pouco das preocupações sociais da adega e da economia circular praticada na região.
A Adega de Monção é e sempre foi um importante pilar económico e social da região de Monção e Melgaço. Não só pelos postos de trabalho que cria em toda a sua estrutura, mas também como os parceiros locais, sendo fornecedores da sua atividade. Para além disso, a Adega conta hoje em dia com 1680 associados que nela entregam as uvas produzidas e tratadas ao longo do ano.

Qual a perspectiva de crescimento nacional e internacional da marca Alvarinho Deu-la-Deu?
A marca Alvarinho Deu-La-Deu é uma marca com mais de 50 anos de história e, sendo um símbolo da casta Alvarinho, tem um enorme peso e responsabilidade no mercado. É nosso objetivo a obtenção do melhor produto possível e, acima de tudo, que mantenha os mesmos padrões de elevada qualidade até então. Só assim conseguimos fidelizar novos clientes e, mais importante, reter os de sempre. No mercado nacional o peso da marca e da Adega de Monção é e sempre foi de uma enorme responsabilidade. Mas não só em Portugal como em todo o mundo.
Saliento que exportamos para 32 países onde esta marca é cada vez mais conhecida. Em 2018 o nosso foco é o mercado russo e o mercado chinês onde já iniciamos o trabalho em 2017 e onde a marca Deu-La-Deu, sendo um dos nossos principais produtos, não deixará de estar presente.

Como vê a transformação da nova garrafa Muralhas realizada pela Verallia Portugal?
Há já algum tempo que o mercado pedia algumas alterações no nosso produto, pelo que foi com natural certeza que aceitamos o desafio da Verallia em concebermos uma nova garrafa para os nossos produtos. O resultado é fantástico, as pessoas adoram e reconhecem um prestígio e qualidade aos produtos que desde sempre foram a imagem da Adega de Monção. Com esta nova garrafa damos ainda mais destaque à imagem AM que representa a Adega de Monção e trazemos para o mercado uma inovação que é um novo corte de cápsula (V.E.O.) que permite uma abertura fácil e segura e que melhora a imagem da garrafa após descapsulagem.
A nova garrafa não será apenas para o Muralhas de Monção será para quase todos os vinhos da Adega de Monção.

 

As confidências de Armando Fontainhas

Onde se veria em termos profissionais, se não enveredasse na indústria dos vinhos?
É uma questão difícil, tenho uma grande ligação ao território e a Monção, a minha terra, se não estivesse na Adega Cooperativa de Monção estaria ligado à produção de uvas e também ao apoio ao investimento local.

Qual a melhor combinação que já fez entre gastronomia e um vinho da sua casa?
Para mim a combinação perfeita é a Santola aqui da costa de Caminha / Viana acompanhada com Alvarinho Deu-La-Deu.

Qual a frase que mais o inspira a crescer no seu negócio?
Step by step.